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MIGUEL COSTA GOMES GANHA CÂMARA
COLOCA BARCELOS NO MAPA
A DERROTA ANUNCIADA DO PSD
…E O PS CHEGA AO PODER
Chegou ao fim um ciclo eleitoral que acabou por ser, contra as análises dos mais informados analistas políticos locais e nacionais, um autentico terramoto político para o PSD nacional e barcelense.
No dia 27 de Setembro o PS manteve-se, com uma vantagem expressiva, como o partido mais votado a nível nacional. No Distrito de Braga essa vantagem foi também evidente ( 41,74% para o PS e 30,82% do PSD ) e a nível concelhio o PS perdeu para o PSD por uma escassa diferença de votos:
PS – 26.532 votos : 36,73%
PSD – 26.764 votos – 37,05%
Para os mais distraídos passou despercebida a derrota anunciada do PSD nas autárquicas, que se realizariam 15 dias depois ( 11 de Outubro ).
Era evidente que o PSD vinha sofrendo um desgaste progressivo no concelho de Barcelos, só interrompido pelo desastre eleitoral do PS nas autárquicas de 2001 e nas legislativas de 2002, pois que o PSD perdia cerca de 3000 votos e o PS só descia cerca de 200 votos relativamente a 2005.
Aliás, basta acompanhar os resultados, ao longo dos últimos dez anos, nas legislativas:
1999 2002 2005 2009
PSD 30.959 36.783 29.849 26.764
46,71% 54,58% 42,29% 37,05%
PS 25.375 20.348 26.702 26.532
38,34% 30,19% 37,83% 36,73%
Era, assim, evidente que o PSD, depois do pico de votos em 2002, coincidindo com o terramoto local que antecedeu o fim do mandato do Dr. João Lourenço à frente da concelhia do PS, deslizava rapidamente para o abismo.
Era também evidente que o CDS/PP, que habitualmente registava nas legislativas uma votação de cerca de 5.000 a 6.000 votos ( 5.583 em 1999, 6.280 em 2002 e 6.028 em 2005 ) recuperava e atingia 7.729 votos ( 10,70 % ), o que significava deixar de existir algum voto útil com deslocação de votos para o PSD, a que não era alheio o facto da lider nacional do PSD não representar a alternativa que a direita desejava.
Foi neste clima eleitoral e “susto” aparente para o PSD que se entrou na campanha eleitoral autárquica. E o PSD registou dois erros fatais. Em primeiro lugar manteve a sua postura arrogante a que nos habituara ao longo destes anos de liderança do D. Fernando Reis. Por outro lado os assessores deste e os seus lideres nas freguesias, além de evidenciarem a cegueira habitual que acompanha a arrogância e o “medo do chefe”, demonstravam cansaço e falta de clarividência. Acresce que em alguns sectores da família PSD se registavam reacções contra o Dr. Fernando Reis e sobretudo contra algumas opções políticas e pessoais. A recente “imposição” do filho na lista de Deputados, com o afastamento do “histórico” Dr. Fernando Pereira fazia os seus estragos. Muitos anunciavam que iam votar PS!!!
Esse mal estar evidenciou-se na votação que veio a verificar-se no dia 11 de Outubro nas Autárquicas, em cerca de 40 freguesias, em que também foi evidente que o eleitorado PSD votava para a Assembleia de Freguesia e Assembleia Municipal na lista do PSD, mas votava PS para a Câmara Municipal. Aliás, as Assembleias de Freguesia registariam um total de 38.201 votos nas listas do PSD, contra somente 27.790 nas listas do PS.
Este “cartão vermelho” do eleitorado do PSD foi fatal para o Dr. Fernando Reis e para o próprio PSD. Aliás, já se ouvem vozes de arrependimento e choros que em nada dignificam os seus autores. Estes tiros no pé são sempre fatais.
Mas o dia 11 de Outubro de 2009 será recordado como o dia em que Miguel Costa Gomes “colocou Barcelos no Mapa” e venceu o poder PSD, sendo de realçar o seu empenho e trabalho pessoal para a vitória em que sempre acreditou.
Um outro conjunto de factores contribuíram decisivamente para a vitória do PS e de Costa Gomes.
Desde que o Dr. Horácio Barra chegou à liderança do PS em 2002 o PS iniciou uma estratégia sistemática de afrontamento ao poder do PSD e à sua forma desastrosa e por vezes ruinosa de gerir as finanças locais, bem como contra a falta de planificação e de ideias,
Depois de recuperar o PS do estado de letargia em que ficara depois dos desastrosos resultados de 2001 (autárquicas ) e 2002 ( legislativas ) executou sistematicamente uma política de desgaste do poder laranja que vieram a ter reflexos nos resultados das Europeias em 2004 e nas legislativas em 2005, que voltaram a trazer o PS para percentagens eleitorais de 38% - 39%, lançando de novo a esperança no partido rosa.
Nas eleições autárquicas de Outubro de 2005 o PS escolhera como um dos temas centrais da sua candidatura o ataque ao contrato de concessão de exploração da rede de água e saneamento e aos aumentos exagerados das taxas e tarifas municipais. Também alertava para os aumentos do IMI e ao abuso da taxa máxima praticada pelo PSD, às habilidades orçamentais e à subsidio-dependência. Contudo, os barcelenses ainda não tinham sentido no seu bolso os efeitos desta política desastrosa do PSD. Aliás, a maioria adormeceu nos argumentos falaciosos e demagógicos do PSD e deu uma nova vitória a este partido.
Contudo, a continuação da oposição sistemática do PS e a realidade vieram dar razão à estratégia, pelo que os barcelenses afinal, pois mais vale tarde do que nunca, acordaram, penalizando o PSD por esta arrogante falta de sensibilidade e sobretudo por mexer no bolso de todos e ter deixado também as estradas do concelho numa lástima.
Depois das eleições internas do PS, em Abril de 2008, o actual Presidente da Concelhia Dr. Domingos Pereira manteve a mesma linha de rumo e de desgaste, bem como os temas fracturantes, intensificando o discurso face à realidade favorável. Apostando num candidato independente para a Presidência da Câmara, veio a recolher os frutos do seu trabalho sistemático nas eleições de 11 de Outubro, com uma vitória eleitoral que só se mostrou inesperada e imprevisível para quem não quisesse ou não soubesse ler “os ventos da mudança”.
A par disso, um trabalho sistemático e organizado de forma profissional pelo candidato Miguel Costa Gomes fez o que era preciso, sendo o grande vencedor desta “batalha eleitoral”.
Para a história ficam os resultados, a vitória de Miguel Costa Gomes e a primeira derrota do PSD.
Resultados Autárquicos:
Câmara Municipal:
1997 2001 2005 2009
PS 30.018 29.283 31.318 34.911
42,60% 39,32% 41,77% 44,52%
PSD 32.520 38.063 35.379 33.997
46,15% 51,11% 47,18% 43,35%
Assembleia Municipal
1997 2001 2005 2009
PS 28.137 28.133 29.899 32.752
PSD 33.174 37.448 34.776 33.112
Assembleias de Freguesia
1997 2001 2005 2009
PS 23.952 25.887 27.542 27.790
PSD 36.897 38.310 37.235 38.201
Eleitores 93.349 95.392 97.837 105.829
Votantes 70.468 74.478 74.982 78.423
75,49% 78,08% 76,64% 74,10%
E o PS chega finalmente ao poder…
António Gomes
October 27th, 2009 at 14:04
Excelente análise, objectiva e informativa. O PSD deve efectuar uma reflexão sobre as causas da sua derrota.
António Carlos
November 2nd, 2009 at 00:24
A análise é boa. O Presidente é outro. O que se espera verdadeiramente, também, e que todos saiamos a ganhar com esta mudança. Espero que tudo isto não se resuma a isso mesmo: apenas uma mudança de actores.
O voto em Costa Gomes foi claramente inferior ao voto no PS, e principalmente ao voto contra o estado actual das coisas`, e isso deve ser igualmente lido.
Espero que o conhecido super-ego de Costa Gomes não dê sinais de si tão cedo, e se comece de facto a trabalhar pela urbe, que tanto está a necessitar.
Dê-se tempo ao tempo…