PSD EUFÓRICO ?!

Corre por aí que pelas bandas do PSD local se espalhou uma euforia. A razão para tal, dizem os mais optimistas, tem a ver com o estado a que chegou o PS local, em resultado das orientações e opções políticas, ou a falta delas, seguidas pela nova direcção política, que por ali manda há seis meses.

Aliás, essa euforia ainda aumentou mais desde que segunda feira passada foi realizada uma conferência de imprensa pelo actual Presidente da Concelhia e pelo Candidato Autárquico Independente, que aquele escolheu e impôs por votação escassa ( 31 votos a favor contra 25 ) na Comissão Política.

Foi notada a falta de dirigentes nacionais e distritais. Mas a inacreditável declaração do candidato de que estamos perante uma candidatura “bicéfala” e que não tinha que se preocupar com as questões partidárias, já que mandava quem ganhou as eleições internas, permite concluir, numa primeira abordagem, que o candidato independente revela um grave desconhecimento das estruturas partidárias, das divergências e das razões da disputa interna. Se o interesse de todos é derrotar o PSD não é o mesmo o caminho para lá chegar.

Aliás, foi evidente até agora a estratégia da actual liderança, acordada ou não com o candidato, que visou isolar toda a “oposição interna” para depois tentar “pescar à linha”, tentando “eliminar” quem é incómodo. Também é evidente que aquela não terá intenção de alterar tal comportamento, apesar do mal estar que tal vem gerando.

A fragilidade desta candidatura manifesta-se em pequenos nadas, designadamente pelo facto do candidato não suspender as suas funções de Presidente da ACIB, o que evidencia algum desconforto ou que não acredita, pelo menos para já, na possibilidade de vitória. É que em política as vitórias não são uma consequência necessária de meros palpites ou manifestações de fé. Só a unidade à volta de um projecto pode proporcionar um bom resultado.

Na verdade, alguma argumentação de que a ACIB proporcionará uma votação excepcional ao candidato do PS entre os jovens formandos ( alguns milhares ) revela um total desconhecimento da realidade do concelho, em que mais de dois terços das freguesias, que decidem as eleições, continuam a ter uma carga rural acentuada, com a já habitual influência dos caciques locais a favor do partido do poder.

Entretanto no PSD haverá quem revele preocupação por esta candidatura, que trará alguns factores novos para a luta política, sem esquecer que se anuncia ainda uma candidatura independente, de contornos ainda indefinidos.

Mas a maior preocupação do PSD será tentar esbater ou eliminar o descontentamento generalizado com o contrato de concessão da exploração de rede de água e saneamento, com os aumentos sentidos pelos munícipes nos custos, taxas e tarifas, especialmente da água, bem como com a quebra de promessas eleitorais pelos seus candidadtos das freguesias.

Até onde vai esse descontentamento é para já uma incógnita … ou talvez não.