A maior angústia de quem exerce o poder é tentar descobrir o momento em que o vai perder.

Obviamente para sair de cena no dia anterior.

Não há poder que não seja temporário, mesmo o dos ditadores… 

Por isso,  é cada vez mais difícil encontrar quem queira e possa assumir a responsabilidade de fazer oposição ao poder, sem a certeza de alguma vez ver reconhecido esse esforço ou de alguma vez vir a exercer, de facto, esse mesmo poder.

Vem isto a propósito das informações que nos têm chegado das diversas movimentações políticas, em especial no PSD local, que já tomou consciência de que o poder que exerce está no limite da tolerância democrática e que se aproxima o momento em que acontecerá inevitavelmente a alternância…

É ver vários responsáveis locais a fazer comentários e análises de toda a ordem, a fazer contas aos jobs e a questionar os nomes dos eventuais sucessores…

Alguém do PSD refere que o actual lider e presidente da câmara está de tal modo apegado ao poder que não haverá quem lhe suceda em condições de poder ganhar ao opositor socialista, pelo que em 2009 será de novo o candidato, apesar do pavor que terá a uma possível derrota e poder, assim, terminar sem glória uma carreira política.

Por outro lado, começam a surgir vozes do PSD dando conta do posicionamneto de figuras próximas do actual presidente, desde Manuel Marinho, Costa Araújo, Mário Constantino, Domingos Araújo, Afonso Inácio, Felix Falcão, Joana Garrido, alguns assessores e de outras cujos nomes por agora não revelamos, que começam já a contar espingardas e a tentar “cair nas graças do chefe”…

Também há sempre uns descontentes do PSD, eventualmente liderados por Vasco de Carvalho e Sérgio Azevedo, e ainda uns quantos intelectuais e fazedores de opinião locais que, apesar de estarem longe da realidade, apostam em candidaturas de independentes, ou seja naqueles que não têm que prestar contas a ninguém e a quem ninguém pode pedir contas…. pois tanto aparecem, como desaparecem no momento seguinte depois de garantirem de novo a vitória ao PSD…..

Acresce que há no PSD quem afirme que o poder laranja acabará com o actual presidente e que este quer ficar como um marco na história local, já que não se recandidatará, pois leu há muito os sinais… 

Por outro lado no PS, pela primeira vez liderado por alguém com uma personalidade forte e por um grupo coeso, que nunca esteve tão perto do exercício do poder, há porém quem não queira ver outros fazer e conseguir aquilo de que não foram capazes de alcançar.

É vê-los, às claras ou secretamente, a fazer tudo para deitar abaixo a actual liderança, mesmo que tal signifique ajudar os outros de que dizem ser inimigos!

E há os que vendo a chegada ao poder muito próxima julgam que é o momento de “atacar” para serem eles a ter os louros…. para esses, cujo lema é “o poder pelo poder a todo o custo”, o futuro será sempre negro…

E há os outros partidos da oposição, que ainda não entenderam ou não querem entender que vivem só para e na sua “capelinha” e que isolados nada valem ……….. juntos podem representar a diferença.

Compreendemos que para estes também a angústia de chegarem ao poder pode limitar o seu desempenho…

Na verdade, em Barcelos estamos no primeiro estádio da democracia, ou seja o poder e os outros…

Aos Barcelenses, contudo, só interessará uma oposição forte e capaz de derrotar o PSD, que não tem ideias, nem se mostra capaz de levar este concelho aos níveis de desenvolvimento de outros vizinhos.

Por isso é com expectativa que os Barcelenses aguardam o fim das férias… é o momento da clarificação.